A Geometria da Exclusão: Quando o Algoritmo Decide que o Brasileiro não é Cidadão
Por Juliana Ciola Beltrami — Professora de Física e Educadora
Como educadora e entusiasta da tecnologia, sempre acreditei que o código deveria ser uma ferramenta de emancipação. Mas a realidade do mercado digital hoje revela uma face perversa: a estética da enganação e o Apartheid Digital.
1. O Sequestro do CEP: O Caso LinkedIn
Tentei realizar minha verificação de identidade no LinkedIn. O sistema exige biometria e leitura de QR Codes, mas a resposta final do algoritmo foi um soco no estômago: "Verificação indisponível para brasileiros".
Isso é desumanização digital. Ao negar o selo de confiança para quem está no Brasil, a plataforma cria uma hierarquia de credibilidade. Eles dizem que o nosso CPF e o nosso rosto não possuem o mesmo valor de face que o de um europeu ou americano. É um sistema de castas algorítmico.
2. A Falácia da Segurança e o Desvio de Função
O caso das VPNs e das plataformas de microtarefas é ainda mais obscuro. Gigantes como a Google hospedam serviços que vendem "segurança", mas que na verdade atuam como ferramentas de vigilância e segregação.
Essas empresas lucram com nossos dados de localização, mas usam esses mesmos dados para nos bloquear de oportunidades globais. É o desvio de função: uma ferramenta criada para proteger a privacidade é pervertida para rastrear e excluir quem vive no Sul Global.
3. O Silêncio Conivente das Gigantes Nacionais
É cruel ver grandes empresas brasileiras vinculadas a essas plataformas e ignorando essa exclusão. Se um grande banco ou empresa nacional usa o LinkedIn para recrutar, ela está chancelando uma ferramenta que discrimina seus próprios compatriotas com base na geografia.
"A tecnologia que não reconhece a cidadania de um povo é uma tecnologia que falhou na sua função básica."
O Brasil paga caro por tecnologia. Pagamos muito mais por um smartphone ou conexão do que nos países de origem dessas Big Techs. No entanto, somos tratados como um "erro no sistema".
Não aceito ser reduzida a uma coordenada geográfica inválida. Somos um mercado pulsante, não um curral digital. Exigimos soberania e o direito básico de existir e trabalhar sem ser barrado por uma linha de código discriminatória.
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